

O nosso dia-a-dia está cheio de sons e ruídos, vivemos constantemente rodeados dos barulhos mais diversos: automóveis, todo o tipo de máquinas e aparelhos, os sons da cidade, a televisão ou o rádio sempre ligados, dentro de casa, no escritório, nas lojas e até nos transportes públicos. Ouvimos constantemente, mas temos pouco espaço para escutar: deixar-nos tocar pelo que está à nossa volta, numa atitude mais activa do que passiva, que exige esforço… e silêncio, esse vazio no qual somos confrontados connosco mesmos, sem artifícios nem fuga possível. Só no silêncio – que não é apenas ausência de barulho – podemos escutar a nossa interioridade, prestar atenção aos nossos sentimentos e desejos mais profundos (sem rotulá-los facilmente como “bons” ou “maus”) e com eles perceber para onde caminhamos.Do silêncio e da escuta nasce também o diálogo: dispor-me a acolher o outro, inteiro, no que ele tem para dizer e para dar, sem procurar impor-me ou sequer buscar o meu próprio interesse na conversa. Este encontro verdadeiro pede coragem: todos nós já fizemos a experiência de, numa viagem de carro a dois, preferir ligar o rádio a arriscar o silêncio… Mas também as palavras podem ser ruído, poluição sonora, se não brotarem da nossa profundidade, se permanecerem na superficialidade da conversa de circunstância ou do discurso politicamente correcto.A partir desta edição, também o essejota.net se põe à escuta: concretiza-se o desejo antigo de escutar os leitores, de proporcionar diálogo e troca de ideias. Estreamos assim a possibilidade de quem nos visita deixar o seu comentário, reagindo aos textos, às reflexões, às propostas… Iniciamos este espaço de conversa, não para nos comprazermos em elogios e “pancadinhas nas costas”, mas porque o encontro é caminho para o inesperado e para a profundidade.No mês de Maio, a Igreja convida-nos tradicionalmente a olhar para Maria, mãe de Jesus. Não se trata apenas de terços, procissões e peregrinações, mas sobretudo (e porque não através destes meios?) de aprendermos com esta mulher do silêncio que soube viver à escuta de Deus e dos outros.
António Ary
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