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domingo, 21 de junho de 2009

Determinismo ou Esperança?

Percorro os corredores da faculdade e apercebo-me que tenho já alguma dificuldade em encontrar o ânimo e a curiosidade dos inícios. Encontro a sala vazia e uma indicação para outra sala. Olha, aqui está uma novidade: agora chegamos até lá por pistas … Chego cedo, esqueci-me que tinha adiantado o relógio para não me atrasar. Afinal funciona. O professor já cá está, espera até que a turma se componha com um número aceitável de pupilos para dar início à aula. Tiro o caderno e a caneta, sou das que tiram apontamentos, não por ser das aplicadas, descobri que ao tirar apontamentos não me distraio. Tanto. “Tenho uma boa e uma má notícia para vos dar"... É sobre a avaliação? Alargaram-se os prazos para entrega do relatório?“Parte daquilo que vocês são, não depende de vocês, não podem controlar, já aconteceu. E podem passar o resto das vossas vidas a culpar o pai que não tiveram, a mãe super protectora, a avó que mimou demais, podem. É um facto, determinou muito do que são e parte disso não vão conseguir mudar. A boa notícia, e é a esta que quero que prestem atenção é que podem fazer dessa parte uma parte muito pequena se se conhecerem, se trabalharem. Por isso, sejam responsáveis por quem são, assumam esse compromisso. Por vocês e pelos que vos rodeiam.”
Ora assim nem preciso de apontamentos.
Fiquei entusiasmada com esta perspectiva. Na Psicologia, como na vida, é muito fácil cair-se na tentação do determinismo, do dar-se por terminado, algo que é assim e já não muda. Os factos passados não podem mudar, mas as pessoas e o modo como são afectadas por eles, acredito que sim.
Parece-me realista considerar que, de facto, as relações do nosso passado, principalmente as mais precoces, influenciam parte da nossa forma de estar nas relações enquanto adultos (assim o dizem os investigadores da área) mas daí a dizer que determinam, hmmm, já me traz algumas dúvidas. Acredito que influenciam, tanto quanto.
Agora, tanto quanto o quê? Tanto quanto eu me aperceber disso, tanto quanto eu quiser trabalhar sobre isso, tanto quanto eu tiver recursos para me debruçar sobre isso, tanto quanto um sem fim de coisas que eu controlo e tenho ao meu dispor. Afinal eu até já controlo alguma coisa.
Quantas vezes não ouvimos alguém dizer “Eu sou assim, sempre fui e não consigo deixar de ser”. Sim, se calhar uma senhora de 80 anos que toda a vida foi profundamente preguiçosa não é aos 80 anos que há maior probabilidade de mudar. E, mesmo assim, não retirem à senhora essa possibilidade, por favor. Também sempre ouvi dizer que “a Esperança é a última a morrer” e encontro aqui a minha «palavra chave» que pouco tem de científica mas que me serve muito mais que todas as teorias.
Vejo a Esperança como uma forma de olhar o mundo, as situações, as relações, uma espécie de perspectiva que não se esgota nos factos mas que vai para além… Para além e não contra os factos. Neste caso, por exemplo, pela Esperança acredito na capacidade do Ser Humano se transcender ultrapassando as convenções teóricas, na minha opinião, sempre tão limitadas.Bem vistas as coisas a questão é uma: o que me faz crescer mais? Olhar para o que me limita ou para o que, não sendo óbvio e esperado, pode sempre acontecer? O que me dá alternativas e me abre horizontes?Completo então a minha nota: até onde eu deixar, vai o determinismo, o pai, a mãe, a avó e até o governo e, a partir daí, venha a Esperança.
Termino com uma frase de um autor da Psicologia que também me inspira nesta responsabilidade e neste compromisso de nos interessarmos por nós, nos conhecermos e nos convertermos em pessoas cada vez mais humanas.
“Os melhores anos da tua vida são aqueles em que decides que os teus problemas são mesmo teus. Não culpas a tua mãe, a ecologia ou o Presidente por eles. Apercebes-te que controlas o teu próprio destino.” (Albert Ellis)
Ana Sampaio

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