Dizia o P. Lúcio Craveiro, sj que quem não sabe descansar, não sabe trabalhar. Assim, sendo Agosto o mês de férias (na EUROPA) por excelência a proposta é que a nossa reflexão gire à volta de extractos de um poema de José Tolentino de Mendonça com o título de “Oração pelas férias
”.Dá-nos,a possibilidade de viver sem pressa,deslumbrados com a surpresaque os dias trazem pela mão.[JTM]
Durante todo o ano passamos a correr pelos dias, sem tempo para mais nada para além de cumprir o que temos para fazer. Em Agosto, o ritmo altera-se… Quer estejamos de férias quer não, a verdade é que a cadência das coisas altera-se, muito mais lenta e pachorrenta. A sugestão é deixarmos que esta alteração no ritmo nos invada, mas sem nos deixarmos adormecer. Deslumbrar-se é estar atento, muito atento, para se deixar surpreender.
Penso na última vez em que me senti deslumbrado por uma coisa pequena. Consegui arranjar tempo para sentir o deslumbramento e aproveitá-lo? Dá-nosa capacidade de viver de olhos abertos,de viver intensamente.
Viver intensamente só se consegue de olhos bem abertos, com o olhar atento a tudo o que habita o nosso quotidiano. Com a vertigem dos dias corridos, muitas vezes fechamos os olhos com a desculpa de que é necessário para sobreviver… De olhos fechados pode parecer mais fácil, para não nos apercebermos das coisas difíceis à nossa volta. Mas isto não é viver, muito menos viver intensamente, é apenas sobreviver.
Quantas vezes vivo de olhos bem fechados? Dá-nosde novo a graça do canto,do assobio que imitaa felicidade aéreados pássaros,das imagens reencontradas,do riso partilhado. Cantar, assobiar, rir, partilhar, reencontrar, voar…
Dá-nosa força de impedir que a dura necessidadeesmague em nós o desejoe a espuma branca dos sonhosse dissipe.
Os nossos desejos e sonhos são o que nos faz manter o rumo. Saber para onde queremos ir faz com que não nos percamos e não desesperemos com mais um desvio no caminho, mais um atraso, mas os consideremos como oportunidades para crescer ainda mais. A nossa correria diária, os problemas pequenos e corriqueiros do dia-a-dia, muitas vezes impedem-nos de ver e de ter consciência de qual é o nosso sonho. Com tanta coisa, acabamos por os deixar desaparecer, desistimos deles, achamos que não são importantes ou que nunca vamos conseguir cumpri-los.
Tenho consciência da importância destes sonhos e desejos na minha vida? São discernidos, ou são só porque me apetece? Quais são os mais importantes para mim? Lembro-me deles com frequência?
Daniela Ribeiro
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