Ao procurar um tema sobre o qual escrever neste mês de Dezembro, fiz uma pequena sondagem, informal, perguntando a algumas pessoas o que lhes sugere este mês. Invariavelmente, a resposta foi "o Natal". Veio-me à cabeça a seguinte paródia aos ditados populares: "Chuva em Novembro... Natal em Dezembro!" Nunca falha! Pois bem, para quê querer ser do contra? Falemos então do Natal.Por que será que o Natal marca tanto a nossa cultura, a ponto de identificarmos um mês com uma festa? O único paralelo de que me lembro é entre Agosto e as férias, mas estou convencido de que muito mais pessoas celebram o Natal do que aquelas que fazem férias em Agosto, e além disso, a ideia de férias varia muito mais de pessoa para pessoa do que a ideia do que é o Natal.Mesmo numa sociedade que aos poucos se vai distanciando das referências explícitas ao cristianismo, a festa do Natal parece estar tão enraizada que dificilmente desaparecerá. (Parece... não me aventuro a fazer futurismo!) Não me refiro a práticas explícitas que vão sendo deixadas por muitos, como rezar em família, montar o presépio em casa, ou ir à Missa do Galo. Mas há algo que parece manter-se, algo a que chamamos "espírito de Natal".Verifica-se que as campanhas de solidariedade feitas nesta época são muito melhor acolhidas (o caso mais evidente é talvez o Banco Alimentar). Será artificial a boa vontade e a preocupação com quem nos rodeia, que nesta época se intensificam? Será artificial a alegria que se sente no ar? Os postais, os presentes, as mensagens que trocamos, será tudo isto falso? Acredito que nada disto seja nem artificial, nem falso, nem por acaso. Acredito que, mais do que uma "imposição" que nos é feita pela sociedade, é uma época em que a simpatia gera simpatia, o bem gera o bem, mostrando que a boa vontade é contagiosa. É verdade que cansa preparar uma festa, cansa procurar a oferta adequada para cada pessoa, o tempo não abunda... e o dinheiro também não! Mas sem esforço nada se consegue e com estes pequenos esforços se constrói o Reino de paz, justiça e alegria que Deus nos promete com a vinda de Jesus.Depois, passadas as festividades, o entusiasmo arrefece, voltamos às nossas preocupações, às nossas coisas... mas o bem que se fez não foi ilusão, a alegria de ter a família junta também não e alguma coisa perdura para além da quadra festiva. Assim, de Natal em Natal podemos construir um mundo melhor e se, de facto, o Natal fosse todos os dias, já viveríamos mais perto do Paraíso!Frederico Lemos
Nenhum comentário:
Postar um comentário