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sábado, 18 de abril de 2009

MAIS UMA VEZ...

Chegou a Primavera. Ao começar a escrever assim, penso "que coisa mais banal...". Mas é por parecer banal e por eu achar que não o é, que decidi arriscar tomar a Primavera como tema para este editorial. Desde há alguns anos, quando chega esta época, lembro-me sempre de um amigo, o Augusto. O Augusto é moçambicano e veio a Portugal fazer um estágio de alguns meses, que envolveu bastante trabalho de campo na lezíria de Vila Franca de Xira. Mais ou menos por esta altura escrevia-me ele: «Agora, parece que o tempo vai mudando, começo a ver uma paisagem bonita, com flores e tudo a ficar contente. Afinal, é a dita primavera, a primeira primavera que vejo na vida. Não imaginas como é maravilhosa esta experiência.» Todos estamos fartos de saber que a Primavera é o tempo das flores e em que voltam as andorinhas, é a altura em que começamos a vestir coisas mais frescas e coloridas, os dias são maiores e mais luminosos, a vida transborda, ficamos geralmente mais alegres e animados. Mas tudo isto parece ser um dado adquirido. Estamos fartos de saber, repito, tão fartos que nem lhe damos importância. É ou não é espantoso que, de repente, num campo que parece vazio, surjam inúmeras plantas, muitas delas com flores de várias formas e feitios; ou então que as árvores, que estão durante meses como que mortas, sem folhas, em poucos dias se encham de flores; ou que aves tão pequenas como as andorinhas atravessem centenas de quilómetros - que não deixam de oferecer um risco de vida - para se alimentarem e reproduzirem em zonas longínquas? Mas… quantos de nós nos espantamos com isto? Aprendi a espantar-me com toda esta explosão na Natureza, que acontece à custa de um grande esforço que foi feito para resistir à dureza do Inverno ou a viagens enormes, mas mais me espanta ainda é que seja recomeçar a vida quase a partir do nada. As reservas de energia guardadas antes do Outono são consumidas quase até ao fim, como que numa aposta decisiva, para formar flores e folhas novas que depois dão lugar a frutos que se multiplicam e asseguram a continuidade da vida. Aqui, não é no poupar que está o ganho - poupar-se é estagnação e morte. Provavelmente não é por acaso que a festa da Páscoa calha nesta época.
Frederico Lemos

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