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sexta-feira, 17 de abril de 2009

A surpresa e a felicidade


Em que pensamos, quando desejamos a felicidade? Não é certamente uma lista de propósitos, uma contabilidade de obstáculos e ajudas, ou um elenco de possíveis realizações. Tenho-me dado conta que o raciocínio e a matemática, em questões de sentimentos, funcionam pouco ou nada. Mais tarde ou mais cedo, acabamos por verificar que a experiência da Vida e as suas surpresas nos trocam as voltas. E assim acontece que temos imensas capacidades de classificar os nossos problemas, desejos e acções, sem conseguirmos, no fundo, ver aquilo que realmente acontece. Somos simplesmente donos de um presente que só existe nas nossas cabeças. Quando desejamos a felicidade, não aparecem palavras, mas sim memórias, imagens e sons. É um rosto concreto, uma cidade, um sopro do vento, ou um som de flauta na praça. São imagens que tomam conta de nós e percebemos que nos atraem irresistivelmente. O grande drama de perceber as nossas possibilidades de felicidade tem a ver com o facto de não conseguirmos dominar aquilo que nos atrai. As próprias imagens da felicidade são confusas e abstractas, acabam por não dar um caminho concreto. É a nossa condição mais verdadeira e terrena, estarmos entre aquilo que é realizado em nós e aquilo que esperamos vir a ser.Que imagens me vêm ao pensamento quando penso na felicidade? Quando a imagem ideal da felicidade que procuramos fica apenas ao nível daquilo que pensaríamos ser o melhor, é difícil ficarmos além de um castelo construído sobre nuvens de sonho. E um dia somos uma cidade dourada, invencível, e no dia a seguir estamos perdidos debaixo da chuva. Por algum motivo que nos escapou, não era aquela a felicidade que me estava destinada. E sofremos ao darmo-nos conta disso.A resposta para a felicidade está em fazer as perguntas certas. Está em olhar o chão que piso e, levantando o olhar, perguntar onde irá ter o caminho que tenho à minha frente. O futuro é a maior energia que nos move e, ao mesmo tempo, nos assusta. Por ser uma incógnita, é fascinante e é incómodo. Mas que coisa maior teremos na Vida, se não é a certeza de sermos surpreendidos, justamente no momento em que pensamos parar tudo, ficar onde estamos, ou desistir? Porque é no fazer caminho que se coloca a pergunta acerca da felicidade. No aqui e no agora.Onde estou? E onde posso fazer feliz a mim e ao mundo? Aqui e agora? Alguns homens e mulheres, um dia em Jerusalém, estavam desfeitos nas lágrimas e na desilusão. Tinha acabado de ser destruída a maior ilusão das suas vidas. Era impossível que tivesse acontecido tudo assim tão rapidamente. Os acontecimentos passaram à frente do coração, foi injusto, a Vida não nos pode tratar assim. No dia seguinte, o silêncio… o dia que amanhece… onde o puseram? Não está aqui! Está Vivo! Demasiado grande para caber num único momento da história, ainda hoje é difícil acreditar. Mas eis que tudo é transformado. Aqueles homens e mulheres perceberam que o destino da felicidade não é uma construção, uma previsão, ou um cálculo. É uma surpresa, a novidade que junta a dor com a alegria, que não acaba com o sofrimento, mas o torna caminho e abertura a algo total. Àquela imagem de mim que não cabe em nenhuma figura desenhada, mas significa todo o poder da esperança.Consigo perceber, ou desejo perceber que o outro lado da dor é a surpresa da alegria?

António Valério

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