Recordo-me que sempre ouvi citar uma frase do P. Américo, que fundou a casa do Gaiato, que dizia: "Não há rapazes maus". Do mesmo modo, também ouvi dizer que não há pessoas más. E estou convencido disso.
Porém, a nossa experiência quotidiana, quer pelo que vivemos, quer pelas notícias que vemos nos jornais e na televisão, mostra-nos que há pessoas que parecem orientar a sua vida pelos próprios interesses, e ultrapassam sem qualquer critério, e mesmo eliminam, quem quer que se intrometa no seu caminho. Dizer que essas pessoas, no fundo são boas, é naif, ou uma expressão de quem vê o mundo a partir de uma redoma. Reconheço a dificuldade.
Porém, a nossa experiência quotidiana, quer pelo que vivemos, quer pelas notícias que vemos nos jornais e na televisão, mostra-nos que há pessoas que parecem orientar a sua vida pelos próprios interesses, e ultrapassam sem qualquer critério, e mesmo eliminam, quem quer que se intrometa no seu caminho. Dizer que essas pessoas, no fundo são boas, é naif, ou uma expressão de quem vê o mundo a partir de uma redoma. Reconheço a dificuldade.
Para mim, todas as pessoas são boas?
Entro assim num tema que é difícil, mas que me tem ajudado muito no modo como olho os outros e as minhas relações. Continuando a insistir na bondade das pessoas pode até parecer que falo da célebre expressão de Rousseau, que o homem é o bom selvagem que a sociedade veio corromper. Não acho que seja isso, já que a sociedade em si é boa, porque somos seres em relação e precisamos de organização para vivermos com qualidade e harmonia. O fato de querer alcançar a própria felicidade é em si um bem, e as nossas energias movem-se na direcção de nos sentirmos felizes e realizados. Querer o próprio bem não tem nada de egoísta. O problema acontece quando, no caminho de realização que queremos alcançar, surgem interesses de outros e entramos em conflito. Não podemos perder, o outro não tem direito de fazer tal obstáculo. E, certamente da outra parte, eu também começo a constituir uma ameaça. É este jogo de perder e ganhar que começa a ser preocupante, fonte de preconceitos, desejo de estar por cima. De ter a vitória.
António Valério
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