
Crescemos justiceiros e sobrevalorizamos as nossas posições e opiniões. Ficamos no demo (diabo!) da democracia, a visão que tem tudo menos a humildade da igualdade: dizemos “sou igual a ti!”, numa perspectiva muito mais de igualação forçada – repare-se que revela normalmente inferioridade que não se quer assumir, um esforço em tudo diferente do reconhecer no outro um igual, promovendo-o. Contrário a aceitar que há alguns que, por dedicação, esforço ou natureza, chegaram a um lugar e a uma norma que fará algum sentido. A incerteza sobre quem nos conduz paralisa, desresponsabiliza e desvirtua as hierarquias.
Esta urgência das nossas opiniões e necessidades, esta sobrevalorização e uma dúvida constante sobre quem nos guia e orienta pode ser um perigo, enfraquecem-se as prioridades, passa a banal violar regras, e deixamos de ter verdadeiros princípios ou limites à acção e à reacção. Importa conhecer o nosso bem maior, o nosso reduto de inviolável, e não o aumentar ao exagero – ao “meu bem maior”.
... CONTINUAÇÃO AMANHÃ
Miguel da Câmara Machado
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