Há alguns anos atrás foi me ensinado que uma via privilegiada para ver e viver a vida nas suas muitas facetas é a dicotomia liberdade-proximidade. Ser livre e próximo ao mesmo tempo perante quem (o que) quer que seja é a chave para entrar no mistério do ser humano, que é ser em relação. Por muito que se consiga elaborar toda uma tese (e tenho procurado fazê-lo ao longo destes anos) sobre esta dinâmica relacional, são a própria vida, a sabedoria para interpretá-la e a capacidade para levá-la a cumprimento os verdadeiros mestres.A maior parte das vezes as nossas relações pessoais, bem como o modo como nos relacionamos com as coisas são marcados por uma desordem neste equilíbrio. Tantas vezes em nome de nos fazermos próximos sufocamos o outro e a nós próprios em dependências afectivas ou então, precisamente o contrario, ao querer tanto preservar a nossa autonomia e independência (e a do outro também) não chegamos sequer a aproximarmo-nos. Como fazer para nos entregarmos ao outro, ou acolhê-lo, e simultaneamente crescer numa relação livre que promova a ambos?Não há uma resposta, mas sim respostas, tantas quantas as relações que empreendemos. Ao entrar numa relação próxima e livre iniciamos a aventura de descoberta do outro e de nós próprios. Afinal proximidade e liberdade são como que sinónimos que derivam de uma única raiz: Amor! Quem ama faz-se próximo e cresce numa relação livre e libertadora, e vive de verdade! A aventura de uma vida verdadeira leva-nos a dar a vida pelos nossos, uma dádiva que – mais do que um momento quase mágico da nossa história – se concretiza no quotidiano suceder de ventos das estações.Num ciclo que começa agora com o Ano Novo, valeria a pena cada um propor-se a crescer na sabedoria de interpretar a vida desta maneira e na coragem de a viver assim!Bom Ano!
Gonçalo Castro Fonseca
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