Desde pequeno que gosto de regras. Sempre me descansou saber com o que posso contar e até onde se pode ir. Perceber o que vale e o que não vale. Assim não sofro muito com expectativas e é tudo mais simples. E em caso de dúvida? Nada mais simples, consulta-se o manual que a define e sabe-se o que se tem de fazer. Simples não? No entanto, não creio que a maioria, ao ler esta reflexão, se reveja na opinião do seu autor. Creio que hoje, se vive um tempo onde o protagonismo nasce da infracção dessas mesmas regras. Qual o filme de Hollywood em que o herói não afronta a policia para um bem maior? Sinal de coragem? Provavelmente… Confesso que não deve fácil ter de enfrentar tudo e todos em nome da nossa perspectiva…Mas não será também sinal de coragem aceitar e cumprir com o que Outro me pede?
Continuando. Ouvi, num Domingo passado, parte da carta de São Paulo aos Gálatas. Impressionou-me bastante a violência com que o Apóstolo de Cristo sublinha que é pela fé em Jesus que somos justificados e não pela Lei. Impressionou-me, principalmente por não perceber o que é que quererá dizer. Ou melhor, porque aquilo que São Paulo terá percebido, vai mais longe do que a fé poderia ir. Passo a explicar: parece-me que a nossa vida, a nossa existência, de onde quer que venhamos ou para onde quer que vamos, o mais importante é a relação que tenho com Jesus. Ou seja não basta só a regra, o correcto, mas o que nos é pedido é uma entrega total. Reparem, a proposta que é feita não é a de ir contra os que os antigos já nos dizem, mas ir para além daquilo que nos foi dito. Assim, para uma intimidade grande com Jesus, não basta a missa ao Domingo, o dar esmola ao pobres, o dar catequese, mas uma disponibilidade para aceitar tudo isso e mais que me seja pedido.
Sou capaz de ir mais longe do que o que já considero suficiente?
Voltei, no outro dia, a visitar as Irmãs da Caridade. Falámos um bom bocado sobre questões profissionais, mas no final lá deu para as típicas “duas de treta”. Sem ser um tipo particularmente perspicaz, depressa percebi que a irmã entrara para a congregação bastante nova – reparem que quando falo em irmãs da caridade, falo das que, independentemente do pais, a única certeza para o presente e para o futuro, é que vão estar entre os mais pobres dos pobres. – e que já tinha corrido meio mundo. Perguntei-lhe se não ficava por vezes cansada de tudo o que vivia. Calmamente retorquiu-me “Não! Sabe, nós temos sempre a certeza da alegria de Deus…”
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