Compreender a adolescência é como acompanhar a viagem de alguém que se move no interior de uma casa, simultaneamente fascinado e "assustado" com os segredos que vai descobrindo. Deambulando entre o quarto, a sala de jantar, e o mundo exterior (a escola, as saídas à noite, os concertos) vai experimentando sentimentos intensos e novos. Esta densidade de sentimentos transforma esta aventura num momento repleto de tensões. Momento em que a vida convida a ir assumindo a própria autonomia, a ir compreendendo que somos diferentes dos nossos pais, mas que também somos diferentes dos nossos amigos. No meio de todas estas relações, vamos construindo a nossa identidade como pessoas e vamos procurando que a nossa história seja única. Para que a passagem entre o interior da casa e o mundo cada vez mais exterior se faça em segurança é muito importante ter gravada no coração a experiência de ser amado desde o primeiro momento, a experiência de se ser acolhido e acompanhado no que se deseja ser. Esta experiência é alicerce de uma destemida e confiante abertura ao mundo.Faz o que sentes. Este parece ser o slogan preferido dos que pensam que a melhor maneira de ajudar a um crescimento afectivo passa por dizer «não deixes que te reprimam, és livre». Não haverá aqui uma certa ingenuidade? Antes de agarrar estas mensagens e transformá-las em bandeiras, talvez fosse bom aprender a olhar para dentro. Aprender a reconhecer os laços de amor que nos sustentam, aprender a reconhecer as nossas carências e perceber onde estão as feridas da nossa história afectiva. Não se trata de um exercício moralista. O modo como fomos amados, o modo como aprendemos a amar condiciona o modo como nos relacionamos com os outros. Será tão retrógrado suspeitar que parte dos comportamentos afectivos e sexuais que acompanham o crescimento podem estar ligados a uma carência afectiva? Os sinais estão aí: modelos de amores instantâneos, manifestações de violência física e psicológica em alguns namoros, ciúmes exacerbados, gestos possessivos que não respeitam o outro.Zé Maria Brito
CONTINUAÇÃO AMANHÃ...
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